O fabricante vende um braço. A fábrica precisa de peças soldadas, paletes montados ou máquinas abastecidas, no ciclo combinado e com segurança documentada. Entre uma coisa e outra existe um projeto de engenharia, e quem o executa é o integrador de robôs.
A norma internacional de segurança reconhece essa divisão. A ISO 10218-1 se dirige a quem fabrica o robô. A ISO 10218-2 se dirige a quem integra aplicações e células robotizadas. Este artigo mostra o que o integrador entrega, o que é responsabilidade dele e como escolher a empresa de automação industrial certa para o projeto.
O que é um integrador de robôs
Três papéis costumam se confundir:
| Papel | O que entrega | Onde termina |
|---|---|---|
| Fabricante | Robô, controlador e documentação do produto | No robô como máquina incompleta |
| Distribuidor | Venda e logística do equipamento | Na entrega do equipamento |
| Integrador | Célula projetada, instalada e produzindo | No resultado: ciclo, qualidade e segurança |
Um mesmo grupo pode exercer mais de um papel. O que importa para quem compra é saber quem responde pelo resultado da célula.
O que o integrador entrega, etapa por etapa
| Etapa | O que você recebe |
|---|---|
| 1. Estudo de viabilidade | Parecer sobre a tarefa: se é robotizável, com quais premissas de ciclo e de ganho |
| 2. Conceito e layout | Arranjo da célula, modelo de robô indicado, fluxo de peças e de pessoas |
| 3. Simulação | Alcance, interferências e tempo de ciclo conferidos no modelo 3D |
| 4. Projeto | Mecânico, elétrico, de segurança e de software |
| 5. Fabricação e montagem | Célula montada e testada antes de seguir para a linha |
| 6. Teste de aceitação | Célula produzindo peças reais antes da entrega |
| 7. Instalação e comissionamento | Célula ligada às utilidades e ao fluxo da linha |
| 8. Aceitação em campo | Ciclo e qualidade comprovados em produção |
| 9. Treinamento | Operação, programação e manutenção |
| 10. Suporte | Assistência, peças e ajustes depois da partida |
A lista serve para ler propostas. Uma etapa ausente não some do projeto: ela passa para o cliente, com o custo e o risco correspondentes.
Quando chamar o integrador
O melhor momento é antes de comprar o robô. A escolha do modelo depende da ferramenta, do dispositivo e do layout, e esses três itens só existem depois do estudo da aplicação. Comprar o braço primeiro costuma fixar uma classe de carga ou de alcance que o projeto depois precisa contornar.
Vale envolver o integrador ainda mais cedo quando o produto está em desenvolvimento. Pequenas decisões de projeto, como o acesso a uma junta de solda ou a face de pega de uma caixa, mudam o custo da célula inteira. Nessa fase elas custam uma revisão de desenho. Depois, custam um dispositivo.
Fornecimento completo ou parcial
Há dois formatos de contrato, e os dois funcionam quando a fronteira está escrita.
- Fornecimento completo. O integrador responde por tudo, da engenharia à partida, e a fábrica recebe a célula produzindo. É o formato indicado para a primeira célula robotizada da empresa.
- Fornecimento parcial. A fábrica assume partes do escopo, como a base civil, as utilidades, os dispositivos ou os transportadores. Faz sentido quando existe equipe interna de engenharia e de manutenção.
No fornecimento parcial, o ponto crítico é a interface. Quem fornece o dispositivo responde pela posição da peça. Quem fornece o transportador responde pelo sinal de peça presente. E quem responde pela segurança do conjunto precisa estar definido antes da primeira compra.
Responsabilidades que não se delegam ao catálogo
Segurança
A NR-12 exige que as zonas de perigo tenham sistemas de segurança e que esses sistemas estejam sob responsabilidade técnica de profissional legalmente habilitado (item 12.5.2). Na prática, o engenheiro responsável emite a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), prevista na Lei nº 6.496/1977, para o projeto de segurança da célula.
A apreciação de riscos é feita para a aplicação, com a ferramenta, a peça e as tarefas reais. Nenhum robô chega com ela pronta, porque ela depende do que o robô vai fazer. Os itens que mais pesam estão em NR-12 em célula robotizada.
Documentação e capacitação
O item 12.13 da NR-12 exige manual em português do Brasil, com informações de segurança para todas as fases de utilização. O item 12.16 exige capacitação antes de o trabalhador assumir a função, abrangendo operação, manutenção e inspeção. Em uma célula robotizada, esses dois itens são entregas do projeto, e precisam estar no escopo.
Como escolher: oito critérios
| Critério | O que perguntar | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| 1. Domínio do processo | A equipe discute a junta, o mosaico ou o ciclo antes de falar do robô? | Conversa que começa e termina no catálogo |
| 2. Estudo antes do preço | A proposta vem com layout, alcance e ciclo estimado? | Preço fechado sem ver a peça |
| 3. Escopo de segurança | Quem faz a apreciação de riscos e o projeto de segurança? | Segurança "por conta do cliente", sem definição |
| 4. Critérios de aceitação | Ciclo, qualidade e produção por turno estão escritos? | Aceitação subjetiva |
| 5. Relação com o fabricante | Há acesso direto a peças, suporte e treinamento de fábrica? | Dependência de terceiros para cada dúvida |
| 6. Suporte depois da partida | Como funciona a assistência, presencial e remota? | Ausência de plano para o período de produção |
| 7. Transferência | Programas, backups e documentação ficam com o cliente? | Programa fechado, sem cópia |
| 8. Proximidade | Em quanto tempo alguém chega à fábrica? | Deslocamento longo para qualquer ajuste |
Os quatro primeiros critérios decidem se a célula vai funcionar. Os quatro últimos decidem quanto ela vai custar ao longo dos anos, tema de quanto custa um robô industrial.
Erros comuns ao contratar
- Escolher pelo menor preço entre propostas com escopos diferentes.
- Definir o robô antes de definir a ferramenta e o dispositivo.
- Deixar a segurança para depois da instalação.
- Aceitar a célula sem critérios escritos de ciclo e de qualidade.
- Treinar só o operador e descobrir, na primeira parada, que ninguém da manutenção conhece a célula.
O que enviar no pedido de proposta
- Desenhos ou modelos 3D das peças.
- Descrição do processo atual, com tempos.
- Volume anual, tamanho de lote e número de turnos.
- Tempo de ciclo e resultado esperados.
- Tolerâncias e critérios de qualidade.
- Layout da área e utilidades disponíveis.
- Restrições: prazo, paradas possíveis, normas internas.
- Quem, na fábrica, vai operar e manter a célula.
Para aplicações específicas há listas mais detalhadas nos guias de célula de solda robotizada e de robô paletizador.
Integrador próximo faz diferença
Projetos de robótica não terminam na partida. Há curva de produção, peças novas, ajustes de programa e manutenção. Um integrador a poucas horas da fábrica responde mais rápido e treina a equipe com mais frequência.
A BR Robotics tem sede em Caçapava (SP), no Vale do Paraíba, às margens da Via Dutra, entre São José dos Campos e Taubaté, no eixo que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.
A BR Robotics
A BR Robotics integra no Brasil os robôs QJAR, da linha EVST. Ela dimensiona o robô e a célula para o processo e integra o conjunto na linha. A linha cobre de 4 kg a 800 kg de carga, com robôs de 4 e 6 eixos para solda a arco, paletização, pintura e manipulação, além de posicionadores, trilho e fonte de solda do mesmo fabricante.
Mais sobre a empresa em Sobre a BR Robotics. Para entender os números de cada modelo antes da conversa, veja o guia do robô industrial.
Perguntas frequentes
O que faz um integrador de robôs?
Transforma um robô em uma célula que produz. O integrador estuda o processo, define o robô e o layout, projeta ferramenta, dispositivos e segurança, programa, instala, comissiona, treina a equipe e dá suporte depois da partida.
Qual a diferença entre o fabricante do robô e o integrador?
O fabricante entrega o robô, que para a norma de segurança é uma máquina incompleta. O integrador responde pela aplicação: robô, ferramenta, peça, dispositivos e proteções funcionando juntos. A ISO 10218-1 se dirige ao fabricante e a ISO 10218-2, a quem integra.
Quem responde pela NR-12 da célula robotizada?
O integrador responde pelo projeto da aplicação e pelos sistemas de segurança, que a NR-12 exige sob responsabilidade técnica de profissional legalmente habilitado. O empregador responde pelas medidas de proteção, pela manutenção e pela capacitação de quem opera e mantém a célula.
O que enviar para pedir uma proposta a um integrador?
Desenhos ou modelos 3D das peças, o processo atual, o volume anual, o tempo de ciclo desejado, o número de turnos, o layout da área e as utilidades disponíveis. Quanto mais completo o pedido, mais comparáveis ficam as propostas.
Vale escolher um integrador perto da fábrica?
A proximidade reduz o tempo de resposta em instalação, ajustes e manutenção, e facilita o treinamento da equipe. Ela pesa, mas vem depois da competência no processo e de um escopo de segurança bem definido.
Fale com a BR Robotics
Envie o processo, a peça e o ciclo desejado. A resposta vem com o modelo indicado, o layout da célula e o orçamento. Fale com a BR Robotics ou consulte a linha de robôs.
Fontes
- A3 (Association for Advancing Automation), Updated ISO 10218: Answers to Frequently Asked Questions
- ISO 10218-2:2025, Robotics: Safety requirements, Part 2: Industrial robot applications and robot cells
- NR-12, Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, itens 12.5.2, 12.13 e 12.16
- Lei nº 6.496/1977, Anotação de Responsabilidade Técnica (Planalto)
- EVST Brasil, linha de robôs e periféricos QJAR




