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Solda robotizada

Célula de solda robotizada: componentes, layouts e orçamento

O que compõe uma célula de solda robotizada, os layouts mais usados, como escolher robô de solda e posicionador e o que definir antes de pedir orçamento.

Publicado em 1 de outubro de 20267 min de leituraPor BR Robotics

Robô de solda a arco com tocha e alimentador de arame

Duas propostas de célula de solda robotizada com o mesmo robô podem ter escopos muito diferentes. A diferença raramente está no braço. Está no posicionador, no dispositivo, na fonte, nas proteções e em quem responde pela partida. Quem compara pelo robô compara a linha que menos decide o resultado.

Este artigo descreve cada componente, os layouts mais usados e a lista do que precisa estar definido antes de pedir orçamento. A decisão anterior, de robotizar ou não o processo, está no guia de solda robotizada.

Robô de solda e célula: qual a diferença

O robô de solda é o braço de 6 eixos com seu controlador. A célula de solda robotizada é o sistema completo que recebe peças ponteadas e entrega peças soldadas, com ciclo conhecido e segurança documentada. Para a ISO 10218, é essa aplicação, e não o robô isolado, que precisa ser projetada e validada.

Os componentes, um a um

ComponenteFunção na célulaO que conferir na proposta
Robô de soldaConduz a tocha na trajetória programadaAlcance sobre a peça já montada no dispositivo, repetibilidade
Controlador e painelComando do robô e dos eixos externos, com parada de emergência e chave geralQuantos eixos externos controla em movimento coordenado
Fonte de solda e alimentador de arameEntrega o arco com parâmetros estáveisComunicação integrada ao controlador do robô, processo e ciclo de trabalho
Tocha e estação de limpezaConduz arame, gás e corrente; a estação limpa o bocalRefrigeração compatível com a corrente e o ciclo
Dispositivo de fixaçãoGarante que a junta esteja sempre no mesmo lugarQuem projeta, quem fabrica e como a peça é carregada
PosicionadorGira e inclina a peça para dar acesso e posição de soldaNúmero de eixos, carga, sincronismo com o robô
TrilhoDesloca o robô ao longo de peças longasClasse de carga e repetibilidade
Proteções e intertravamentosImpedem acesso à zona de perigo com o robô em movimentoEscopo de segurança e documentação em português
Exaustão de fumosCapta os fumos no ponto de soldaSe está no escopo ou fica com o cliente
Interface de operaçãoSeleção de programa, partida, diagnósticoRegistro de produção e de alarmes

Na linha QJAR, robô, painel de controle, fonte de solda digital, posicionadores e trilho vêm do mesmo fabricante, e a fonte de solda tem comunicação integrada ao controlador do robô.

Qual robô de solda

Para solda a arco a ferramenta é leve. O que decide é alcance e repetibilidade.

ModeloCarga (kg)Alcance (mm)Repetibilidade (mm)Massa (kg)
QJRH4-1A41.410,5±0,03150
QJR6-1400H61.456±0,08150
QJR6-2000H62.014±0,08230

A diferença entre cerca de 1,4 m e 2 m de alcance não é detalhe. Com alcance maior o robô cobre peças mais largas ou duas estações sem trilho. Com alcance menor a célula fica compacta e o braço trabalha em posturas mais favoráveis sobre peças pequenas. A resposta sai do envelope da peça já montada no dispositivo e no posicionador. Os critérios gerais de leitura da ficha estão no guia do robô industrial.

Dispositivo de fixação: onde a qualidade começa

O robô leva a tocha sempre ao mesmo ponto. Cabe ao dispositivo garantir que a junta esteja nesse ponto. Ele precisa posicionar a peça por referências estáveis, suportar a deformação causada pelo calor sem prender a peça depois de soldada e deixar caminho livre para a tocha.

Três perguntas ajudam a avaliar a proposta: quem projeta o dispositivo, como o operador carrega e confere a peça, e quanto tempo leva a troca para outro produto. Em famílias de peças, um dispositivo com partes intercambiáveis reduz essa troca.

Posicionadores

O posicionador existe por dois motivos: levar cada junta para a posição de solda mais favorável, de preferência a plana (PA na ISO 6947), e dar acesso à tocha sem que alguém precise virar a peça.

TipoComo trabalhaPeça típica
1 eixoCabeçote e contraponta com servomotorPeças longas, que giram em torno do próprio comprimento
2 eixosGiro e inclinaçãoPeças volumétricas soldadas em posição plana
Tipo LDois eixos em braço L, com acesso livre ao redor da peçaPeças com cordões em muitas faces
3 eixosTroca de estação: o operador carrega um lado enquanto o robô solda o outroProdução contínua com carga manual

O que torna o posicionador parte do processo é o movimento coordenado. Robô e posicionador se movem juntos, de modo que a tocha mantém velocidade e ângulo constantes em relação à junta enquanto a peça gira.

Trilho de deslocamento

Quando a peça é mais longa que o alcance do robô, o braço passa a andar sobre um trilho, que funciona como um eixo adicional. O trilho da linha usa cremalheira de engrenagem helicoidal, servomotor e guias lineares, em três classes:

ClasseCarga total (kg)Carga no punho (kg)Repetibilidade (mm)
Leveaté 1.000até 50±0,08
Médiaaté 3.000até 300±0,10
Pesadaaté 10.000até 1.000±0,15

Em solda, a repetibilidade do trilho entra na conta junto com a do robô. Por isso a classe do trilho é escolhida pela peça e pelo processo, não só pelo peso do braço.

Layouts mais usados

LayoutQuando se aplicaPonto de atenção
Uma estação com mesa fixaPeças pequenas, soldadas sem reposicionarO robô aguarda durante a troca de peça
Duas estaçõesVolume contínuo com carga manualA separação entre a estação em solda e a estação em carga
Cabeçote e contrapontaVigas, eixos, chassis e outras peças longasRigidez do dispositivo ao longo do comprimento
2 eixos ou tipo LPeças com cordões em várias facesCarga e centro de gravidade do conjunto peça e dispositivo
Robô sobre trilhoPeças mais longas que o alcance do robôClasse do trilho e cabeamento

Os layouts se combinam. Uma célula para peças longas pode ter trilho e cabeçote e contraponta. Uma célula de alto volume pode ter duas estações, cada uma com posicionador.

Segurança e ambiente

A célula de solda soma os riscos de um robô em movimento aos do arco: radiação, respingos e fumos. Na prática isso significa fechamento que contenha a radiação do arco, acesso de carga protegido por porta intertravada ou por dispositivo de detecção de presença, rearme com visão completa da área e exaustão no ponto de solda.

A referência no Brasil é a NR-12, que reconhece as ISO 10218 para sistemas robóticos. O que a norma exige, item por item, está em NR-12 em célula robotizada. Vale conferir se o escopo de segurança e a documentação em português estão na proposta ou fora dela.

O que definir antes de pedir orçamento

Uma proposta comparável nasce de um pedido completo:

  1. Desenhos ou modelos 3D das peças, com as juntas indicadas.
  2. Material, espessuras e processo atual de solda.
  3. Comprimento total de cordão por peça.
  4. Volume anual, tamanho de lote e número de turnos.
  5. Tempo de ciclo desejado por peça.
  6. Tolerâncias das peças que chegam à solda.
  7. Critério de aceitação do cordão e norma aplicável.
  8. Área disponível e pé-direito.
  9. Utilidades no local: tensão trifásica, ar comprimido, gases e exaustão.
  10. Quem fornece os dispositivos e quem opera a célula.

Com esses dados a discussão deixa de ser sobre o robô e passa a ser sobre o resultado: peças por turno, qualidade e prazo de partida. O impacto de cada bloco no investimento está em quanto custa um robô industrial, e os critérios para avaliar quem vai executar estão no artigo sobre o integrador de robôs.

Quatro erros aparecem com frequência nessa fase:

  • escolher o robô antes de definir posicionador e dispositivo;
  • pedir orçamento sem informar a tolerância das peças que chegam à solda;
  • tratar exaustão e segurança como itens a resolver depois;
  • dimensionar para uma única peça e esquecer a família que vem em seguida.

Perguntas frequentes

O que compõe uma célula de solda robotizada?

Robô de solda com controlador, fonte de solda com alimentador de arame, tocha com estação de limpeza, dispositivo de fixação, posicionador ou mesa, proteções com intertravamento, exaustão de fumos e interface de operação. Conforme a peça, entram também trilho e uma segunda estação de carga.

Qual a diferença entre robô de solda e célula de solda robotizada?

O robô de solda é o braço com o controlador. A célula é o sistema que produz: robô, fonte, tocha, posicionador, dispositivo, segurança e operação. Propostas que parecem equivalentes pelo robô costumam diferir justamente nos outros itens.

Quando a célula precisa de posicionador?

Quando a peça tem cordões em várias faces ou quando a qualidade pede solda em posição plana. O posicionador gira e inclina a peça para trazer cada junta até a melhor posição e para dar acesso à tocha sem reposicionamento manual.

Uma mesma célula solda peças diferentes?

Sim. Cada peça tem seu dispositivo e seu programa, e a troca é planejada no projeto. Famílias de peças parecidas aproveitam o mesmo posicionador e parte dos dispositivos, o que reduz o tempo de troca.

A célula de solda robotizada precisa atender à NR-12?

Sim. A NR-12 se aplica à célula como máquina, e o item 12.1.12 reconhece como conformes os sistemas robóticos que seguem a ISO 10218-1, a ISO 10218-2 e a ISO/TS 15066. A norma exige proteções, intertravamentos, parada de emergência e manual em português; a capacitação, que ela atribui ao empregador, vale combinar no escopo do projeto.

Fale com a BR Robotics

A BR Robotics projeta e integra células de solda com robôs QJAR no Brasil. Envie a peça, o volume e o ciclo desejado: a resposta vem com o modelo indicado, o layout da célula e o orçamento. Fale com a BR Robotics ou veja robôs, posicionadores e trilho.

Fontes

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