Uma linha que entrega 8 sacos de 25 kg por minuto coloca 12 toneladas por hora nas mãos de quem paletiza. A legislação trata esse esforço com cuidado: a CLT fixa em 60 kg o peso máximo que um empregado pode remover individualmente, e a NR-17 veda o levantamento não eventual de cargas que comprometa a saúde quando a pega fica a mais de 60 cm do corpo. A equação de levantamento do NIOSH, referência internacional em ergonomia, parte de uma constante de carga de 23 kg, que só vale inteira em condições ideais e diminui com a distância horizontal, a altura, o percurso vertical, a torção, a frequência e a qualidade da pega.
A mesma NR-17 lista, como primeira medida de prevenção no transporte manual de cargas, implantar meios técnicos facilitadores. O robô paletizador é o mais completo deles. Este guia mostra como ele é dimensionado.
O que é paletização robotizada
Paletização é a montagem da carga unitizada: caixas, sacos, fardos ou baldes empilhados sobre o palete em camadas estáveis, prontas para transporte e armazenagem. Na paletização robotizada, um robô industrial pega o produto na saída da linha e o deposita seguindo o padrão programado.
A célula típica tem transportador de entrada, robô com garra, uma ou duas posições de palete, proteções e, conforme o projeto, alimentação automática de paletes vazios e de folhas separadoras.
Por que o robô paletizador tem 4 eixos
Empilhar exige posicionar a carga em três dimensões e girá-la em torno da vertical. Não exige inclinar. O robô de paletização de 4 eixos aproveita isso: sua estrutura mantém o flange sempre paralelo ao piso, e o quarto eixo gira a garra.
Com menos eixos em movimento, o braço fica mais simples e direto para a tarefa. O robô de 6 eixos entra quando o produto precisa ser inclinado ou reorientado, o que é exceção. A diferença entre as duas famílias está no guia do robô industrial.
Os três números que dimensionam o robô
Carga: produto mais garra
A carga da ficha técnica é tudo o que está depois do flange. A garra entra na conta e, conforme o produto, pode pesar tanto quanto ele.
| Caso (valores de exemplo) | Produto por pega | Garra | Carga no punho | Modelo da linha que atende |
|---|---|---|---|---|
| Caixa de 5 kg, uma por pega | 5 kg | 4 kg | 9 kg | QJRB15-1 (15 kg) |
| Caixa de 12 kg, uma por pega | 12 kg | 8 kg | 20 kg | QJRB30-1 (30 kg) |
| Saco de 25 kg, dois por pega | 50 kg | 30 kg | 80 kg | QJRB180-1 (180 kg) |
| Camada de 12 caixas de 20 kg | 240 kg | 150 kg | 390 kg | QJRB800-1 (800 kg) |
A decisão de pegar um ou mais produtos por ciclo muda a classe do robô: duas caixas de 12 kg com a mesma garra de 8 kg somam 32 kg e já passam do modelo de 30 kg. Por isso carga e ciclo são definidos juntos.
Alcance: do palete mais distante ao topo da pilha
O robô precisa depositar no canto mais afastado da primeira camada e no ponto mais alto da última. O palete padrão brasileiro, o PBR, mede 1.000 mm por 1.200 mm, com 129 mm de altura, segundo a especificação da ABRAS. A isso se somam a altura final da carga, a posição do ponto de pega e, quando há duas posições de palete, a distância entre elas.
Um robô que atende duas posições de palete trabalha sem parar durante a troca: enquanto um palete cheio sai, ele continua no outro. Essa escolha pede mais alcance.
Ciclo: a linha manda
O número de ciclos por minuto vem da linha, não do catálogo:
- produtos por minuto na saída da linha;
- dividido pelo número de produtos por pega;
- igual aos ciclos por minuto que o robô precisa cumprir.
Uma linha de 12 caixas por minuto com pega dupla pede 6 ciclos por minuto. Se o robô cumpre esse ritmo, depende da distância entre pega e depósito, da carga total e do padrão do palete. Essa verificação é feita em simulação, com o layout real, antes da compra.
A linha QJAR de paletização
| Modelo | Carga (kg) | Alcance (mm) | Eixos | Repetibilidade (mm) | Massa (kg) |
|---|---|---|---|---|---|
| QJRB15-1 | 15 | 1.510 | 4 | ±0,05 | 160 |
| QJRB30-1 | 30 | 1.820 | 4 | ±0,05 | 205 |
| QJRB180-1 | 180 | 3.153,7 | 4 | ±0,5 | 1.400 |
| QJRB800-1 | 800 | 3.159 | 4 | ±0,5 | 2.550 |
Os dois primeiros são compactos, para caixas e embalagens leves em células de área reduzida. O QJRB180-1 combina 180 kg com mais de 3 m de alcance, o que permite trabalhar sacaria com pega múltipla e, conforme o layout, duas posições de palete. O QJRB800-1 leva 800 kg a 3.159 mm, para camadas inteiras ou cargas unitárias pesadas.
A massa do robô também entra no projeto. Um braço de 1.400 kg ou de 2.550 kg em movimento transmite esforços à base, e a fundação é calculada para isso.
Garra: o componente que mais muda o projeto
O robô é escolhido depois da garra, não antes.
| Tipo de garra | Produto típico | Observação |
|---|---|---|
| Vácuo | Caixas com face superior plana e fechada | Leve e rápida; depende da qualidade da caixa |
| Dedos ou garfo | Sacos | Sustenta por baixo; pede transportador de roletes na pega |
| Pinça lateral | Caixas, fardos e engradados | Aperta pelas laterais; atenção à resistência da embalagem |
| Combinada | Produto, palete vazio e folha separadora | Uma ferramenta para três funções, com massa maior |
A massa da garra consome carga útil e seu tamanho define o que cabe entre as pilhas. Em muitos projetos, é o desenho da garra que permite, ou impede, a pega múltipla que fecha o ciclo.
Mosaico e estabilidade da carga
O padrão de cada camada, o mosaico, define a estabilidade da carga e o aproveitamento do palete. Camadas alternadas, com as juntas desencontradas, travam a pilha. Folhas separadoras ajudam em produtos que escorregam.
O mosaico também define o trabalho do robô: quantas orientações diferentes por camada, quanto giro por ciclo e qual a folga entre produtos na hora do depósito. Um padrão bom para o transporte e ruim para o ciclo é um problema que aparece cedo quando o projeto é simulado.
Layout e segurança da célula
A célula de paletização tem duas fronteiras que as pessoas e os equipamentos cruzam: a entrada de produto e a saída de palete. A NR-12 exige que as zonas de perigo tenham sistemas de segurança, caracterizados por proteções fixas, proteções móveis e dispositivos de segurança interligados.
Na saída de palete é comum usar cortina de luz com muting, a desabilitação automática e temporária da função de segurança enquanto o palete passa, conforme a definição da própria norma. A posição da cortina não é livre: o Anexo I da NR-12 adota o cálculo de distância mínima da ISO 13855, que depende do tempo de parada do sistema.
Os requisitos completos estão em NR-12 em célula robotizada. Para tarefas leves com pessoas por perto existe a alternativa colaborativa, comparada em robô colaborativo ou robô industrial.
Quando o robô é a escolha
- Mais de um produto ou formato. Trocar de mosaico é trocar de programa.
- Área curta no fim da linha. A célula ocupa pouco mais que o alcance do braço.
- Duas linhas próximas. Um robô pode atender as duas, cada uma com seu palete.
- Cargas que mudam. Garra combinada e programas diferentes absorvem novas embalagens sem trocar a máquina.
Dados para o orçamento
- Produto: dimensões, massa e tipo de embalagem.
- Cadência da linha, em produtos por minuto, e número de turnos.
- Palete usado e altura final da carga.
- Mosaico atual ou desejado, e uso de folha separadora.
- Layout do fim de linha, com a altura do transportador.
- Como o palete cheio sai: paleteira, empilhadeira ou transportador.
- Quantos produtos diferentes passam pela mesma linha.
Com esses dados, a conta de retorno pode ser feita com os números da fábrica, seguindo a estrutura de quanto custa um robô industrial. Quem conduz o projeto do começo ao fim é o integrador de robôs.
Perguntas frequentes
O que é um robô paletizador?
É um robô industrial, em geral de 4 eixos, que pega produtos no fim da linha e os empilha sobre o palete seguindo um padrão de camadas. Ele trabalha com uma garra adequada ao produto dentro de uma célula com entrada de produto, posição de palete e proteções.
Quantos quilos um robô paletizador movimenta?
Depende da classe. Na linha QJAR há paletizadores de 15, 30, 180 e 800 kg de carga no punho. Essa carga inclui a garra: um produto de 25 kg com uma garra de 30 kg ocupa 55 kg da capacidade do robô.
Por que o robô paletizador tem 4 eixos?
Porque empilhar exige posicionar a carga no espaço e girá-la em torno da vertical, mantendo-a sempre nivelada. O braço de 4 eixos mantém o flange paralelo ao piso por construção, com menos eixos em movimento do que um robô de 6 eixos para a mesma tarefa.
Quantas caixas por minuto um robô paletiza?
A conta parte da linha: produtos por minuto divididos pelo número de produtos por pega dão os ciclos por minuto que o robô precisa cumprir. Se ele cumpre, depende da distância entre pega e depósito, da carga e do padrão do palete, o que se confirma em simulação.
A célula de paletização precisa de proteção?
Sim. Pela NR-12, as zonas de perigo precisam de sistemas de segurança, caracterizados por proteções fixas, proteções móveis e dispositivos de segurança interligados. Na saída de paletes é comum o uso de cortina de luz, cuja distância mínima segue o cálculo do Anexo I da norma, baseado na ISO 13855.
Fale com a BR Robotics
A BR Robotics dimensiona e integra células de paletização com robôs QJAR de 15 kg a 800 kg. Envie o produto, a cadência e o layout: a resposta vem com o modelo indicado, o layout da célula e o orçamento. Fale com a BR Robotics, veja a linha de robôs ou as fichas da linha de paletização.
Fontes
- CLT, Decreto-Lei nº 5.452/1943, art. 198 (Planalto)
- NR-17, Ergonomia, capítulo 17.5 (Ministério do Trabalho e Emprego)
- NIOSH, Revised NIOSH Lifting Equation (CDC)
- CCOHS (governo do Canadá), NIOSH Lifting Equation: cálculo do limite de peso recomendado
- ABRAS, Especificação Técnica do palete PBR-I
- NR-12, Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, item 12.5 e Anexo I
- ISO 13855:2024, Safety of machinery: Positioning of safeguards with respect to the approach of the human body
- EVST Brasil, fichas técnicas da linha QJAR




